Este é um resumo de uma parte da minha história enquanto Mulher. Se ela inspirar uma Mulher que seja apenas já valeu a pena a partilha.

Recordo-me dos tempos em que a menstruação era algo horrível, uma espécie de buraco negro que acontecia na minha vida. Os dias do período eram os dias ‘vida em standby’, dias de ficar em casa, sem ir na escola, com dores horríveis, que nenhum analgésico aliviava, com um fluxo que achava que era dessa que eu ia morrer de tanto sangrar. Enfim, sair de casa, era por si só, uma aventura radical.

A minha médica ginecológica prescreveu-me a pílula com apenas 17 anos, mas nem por isso aliviou os sintomas, nem as dores e nem o fluxo. Só sinto que entrei em modo adormecido.

Depois de engravidar, aos 25 anos, senti a responsabilidade de ter mais poder sobre mim e, intuitivamente, optei por não tomar mais a pílula nem usar contraceptivos hormonais. Senti que precisava mergulhar mais em mim, e viver intensamente. [Não é à toa que nesse processo intuitivo também descobri o DeROSE Method]. A liberdade de não tomar a pílula e não viver em artifícios hormonais deu-me responsabilidade para procurar ajuda de especialistas desde ginecologistas, endocrinologistas, gastroenterologistas, nutricionistas, naturopatas, etc… Menorragia, endometriose e uma feroz anemia eram afinal os meus compinchas de herança genética. A solução de todos era a mesma: tomar a pílula e fazer uma histerectomia. Nenhum dos especialistas me ‘curou’, mas todos fizeram parte do processo, e com cada um aprendi algo novo. Mas, eu sou mais teimosa que a minha anemia… e fiz-me à [minha] vida.

Tomei as rédea. Estudei, pesquisei, li, filtrei, assimilei o que me interessava … enfim, interessei-me por mim, como nunca. Não encontrei soluções imediatas, mas fiz um mergulho tão profundo em mim, em me conhecer melhor, que valeu tudo a pena. Comecei a nutrir-me melhor, em alimentos, em emoções, a ouvir-me mais, enfim, a cuidar de mim. Foi um processo longo de mudança de hábitos, não imediatista… mas profundamente transformador.  Quem me conhece sabe. Quem não me conhece diz que fui e sou muito radical! Bem, eu adoro ser radical, e então com o quero ainda mais! Sou teimosa com hábitos que me acrescentam e radical com os que me reduzem.

Acredito que não existe formula mágica. Existe a ‘nossa’ formula e essa só nós podemos saber, experienciando, errando e aprendendo. Com o meu processo (alimentação, suplementação, lifestyle, propósito de vida e prioridades) deixei de ter dores, cólicas, TPM, o fluxo reduziu, o meu ciclo é afinadíssimo com a lua. Sinto-me em sintonia com a natureza, sei quando estou a ovular, quando estou no período fértil, e amo estar menstruada.

Como algo tão exponencialmente infinito e sábio como o é o Universo pode estar tão apaixonadamente ligado com algo tão íntimo como é um ciclo de uma Mulher?

O melhor conhecimento é a sabedoria do que somos. É um processo maravilhoso. Temos que nos desapegar de crenças, de cultura, de pessoas… mas vale a pena o investimento! Somos a pessoa mais importante da nossa vida.

Honro a minha menstruação pois ela vem carregada de momentos de serenidade e introspecção. É a altura do mês em que me sinto mais introspectiva, intuitiva, sensível, vulnerável e em total sintonia com a minha sabedoria interior.

A relação que vim a construir com o meu corpo, com a minha sexualidade e com o meu ciclo menstrual demonstrou-me como o meu ciclo é imensamente bonito e carregado de sabedoria. 

Acima de tudo entreguei-me ao processo. Quanto mais nos entregamos genuinamente ao processo, mais nos sintonizamos com a natureza e com a nossa natureza, porque nós somos a natureza. Amo a lua e as suas fases, amo o mar e as suas marés, amo as estações e as suas oscilações, amo a minha sintonia com isso tudo e toda a vulnerabilidade que isso traz, porque nessa vulnerabilidade encontro a força e o poder do imenso Universo do que sou. Para mim isso é sabedoria e é lindo.

Mulheres, confiem na vossa intuição, sejam que nem as lobas que são umas para as outras e juntas honram a lua (a sua lua). O leão pode ser o rei da selva, mas nunca vi um lobo no circo.

Sonia [powered by nature]

2 thoughts on “Os nossos ciclos

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